Ecdise – Troca do exoesqueleto

Para que uma tarântula cresça, ela precisa passar por um processo chamado ecdise, é quando uma tarântula troca de “pele”. Há certos sinais de quando uma tarântula entra no processo de muda. Se a tarântula for juvenil ou adulta, ela pode deixar de se alimentar, quando isso é observado, toda a alimentação deve ser encerrada. A água deve estar sempre disponível durante esse período, em animais maiores, eles podem começar a jejuar várias semanas antes de trocar de pele. O animal ficará inativo, o abdômen pode ficar careca (nao é regra) e ficará muito escuro para preto azulado. Se elas tiverem uma toca, a maioria se entrincheirará em sua toca e bloqueará a entrada, especialmente as espécies cavadoras (fossoriais) do Velho Mundo. A maioria das espécies arbóreas e do Velho Mundo não mostram o abdômen escuro quando estão perto de uma muda.

A Tarântula também vai criar uma “cama de muda” de seda grossa. Espécies com cerdas urticante podem espalhar seus pelos em cima desta cama de seda. Novamente, certifique-se de que todos os alimentos sejam removidos do terrário. Uma tarântula é mais vulnerável durante o período de muda. Mesmo um pequeno grilo pode danificar uma muda ou uma tarântula recém mudada.

Quando observo uma muda que se aproxima, normalmente umedeço a metade (final) do recinto para aumentar a umidade. A umidade mais alta parece ajudar no processo de muda. A ecdise, creio eu, é o período mais estressante da vida de uma tarântula.

Uma tarântula adulta, pode levar ate oito horas para completar a muda; Este é um verdadeiro momento de oração para mim. Eu acredito que na natureza é assim que a maioria das tarântulas morrem, em vez de morte predatória.

Quando chega a hora de começar a muda, a tarântula geralmente vira de costas. É aconselhado que você não a perturbe neste estágio. A tarântula permanecerá imóvel por um tempo. Então você verá gradualmente as pernas se movendo (lentamente). Eventualmente a área ao redor do cefalotórax e ao longo do abdômen se dividirá e as novas pernas começarão a aparecer. Ela continuará a mover as pernas lentamente até que saia completamente da pele velha (exoesqueleto). Este processo pode levar de cinco minutos com um ling, até várias horas com um animal adulto. Este é um dos momentos mais críticos da vida de uma tarântula. Após a muda, a aranha permanecerá de costas para baixo por algum tempo descansando, e então, eventualmente, se erguerá. A tarântula é muito vulnerável nesta fase, porque a nova pele é macia e precisa endurecer, junto com suas presas. Até lá, a tarântula não deve ser alimentada ou perturbada. Para deixar bem claro, esse processo do endurecimento do exoesqueleto leva mais tempo com uma tarântula adulta do que com um ling. 

Quando eu introduzo comida depois de uma muda, eu observo atentamente para me assegurar que o animal esteja se alimentando normalmente; se não, retiro a comida do recinto e a introduzo alguns dias depois. Normalmente, depois de uma muda, quando o novo exoesqueleto se endureceu, uma tarântula atacará sua presa com uma grande vontade.

Pela minha experiência, quando uma tarântula atinge a idade adulta, o tempo entre as muda é geralmente de um ano. lings e juvenis vão mudar mais frequentemente. A muda também é um tempo de regeneração. Se a tarântula perdeu um membro, depois de uma muda, o membro nascerá novamente; Mas aqui o assunto nao é sobre regeneração de membros, você pode acessar o mesmo clicando Aqui: REGENERAÇÃO DE MEMBROS E AUTOTOMIA.


ECDISE E SUAS FASES

A troca de pele, na verdade, acontece em dois momentos, o primeiro se chama apolysis (não achei termo pra tradução) e nele acontece a separação da antiga cutícula das células hipodérmicas. Depois acontece a ecdise, que é quando acontece a troca de toda a exuvia da tarântula.
O processo de apolysis acontece cerca de uma semana antes da ecdise em si.

A ecdise tem inicio por conta de um hormônio chamado ECDISONA. Pouco se sabe sobre a produção desse hormônio, acredita-se que ele seja secretado por uma glândula encontrada no prossoma (Abdome). O que se sabe é que foi observado um aumento do hormônio ecdisona na hemolinfa durante o processo de ecdise. A hemolinfa, alias, tem um papel importante também, regulando a quantidade e absorção de água durante o processo através de células especializadas.

Hemolinfa: (Sangue de aranha)

Entre o epitélio e a cutícula, existe um espaço chamado de “espaço exuvial”, basicamente, ele fica entre a pele nova (que está se formando) e a antiga (que será removida). Nele, há uma camada chamada de endocuticula que é digerida por enzimas (quitinases e proteases), secretadas pelas células da epiderme, todos os componentes que são dissolvidos por essas enzimas são reabsovidos, Logo então, a tarântula perde pouco material durante o processo de ecdise.

Mais ou menos uns 5 dias antes da aranha fazer a troca de pele, as células da hipoderme secretam a primeira camada da nova cutícula, chamada de cuticulina, é depois disso que as enzimas secretadas começam a digerir a endocuticula, uma vez que a nova camada já está protegida.
Após a digestão quase completa da endocuticula, é que se da inicio o processo de ECDISE.

Semanas após a troca, o exoesquele cresce e endurece consideravelmente, enquanto uma nova camada de endocuticula se forma internamente. No processo até a próxima ecdise, novas camadas da cutícula interna são formadas, e enzimas são secretadas, preparando o animal para a próxima troca, e assim, sucessivamente.

Resumo:
1 – Células da hipoderme são ativadas.
2 – Secreção do fluido exuvial e processo de apolysis.
3 – Secreção da primeira camada da nova cutícula.
4 – Ativação das enzimas do fluido exuvial e digestão da endocuticula.
5 – Absorção do material digerido.
6 – Secreção de outra camada de cutícula.
7 – Processo de ecdise
8 – A nova cutícula se espalha
9 – O exoesqueleto fica rígido

Curiosidade: O hormônio 20E (20-hidroxi-ecdisona) parece influenciar no canibalismo das aranhas. Foi observado que fêmeas do gênero Tegeneria estavam com níveis maiores de 20E durante o processo de copula, e foram mais receptivas com os machos. Em encontros posteriores, quando houve baixa desse hormônio, elas demonstraram uma taxa de 40% de canibalismo. Após uma injeção artificial de 20E nas fêmeas, NENHUM canibalismo foi registrado.


FONTES:

Theraphosidae.be / TTKG / Biology of Spiders (Foelix) Physiology of Molting pgs. 277-281.

Complemento: Adalberto Peixoto

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