Regeneração e autotomia de membros

Muitas vezes, vimos aranhas que perderam suas pernas. Algumas podem tê-la perdido em brigas, enquanto outras podem ter deixado as pernas “cairem”, ao escapar de predadores que as pegaram, ou até mesmo ao realizarem uma troca de pele. Para lidar com isso, as aranhas são capazes de regenerar 100% as pernas perdidas após várias mudas. Depois de uma muda, as novas pernas parecerão menores que o tamanho normal, mas elas deverão voltar ao tamanho real depois de mais algumas mudas.

O corpo de uma aranha é coberto por uma pele externa feita de quitina dura conhecida como exoesqueleto. A medida que o corpo da aranha amadurece, ela troca essa pele externa dura para dar espaço ao seu corpo em crescimento. Este período de troca do exoesqueleto é conhecido como ECDISE.

REGENERAÇÃO

Aranhas podem regenerar boa parte dos membros perdidos (outros animais também se regeneram).
Quando não realizam autotomia, o membro novo é gerado no local onde a amputação foi realizada. Pouco se sabe sobre o processo de regeneração a nível celular, o que se sabe é que a formação da nova perna é comparável com a que é vista durante a ontogenia, além disso, também sabe-se que é um processo realizado por controle hormonal.

Em caso de autotomia, a nova perna será gerada dentro do espaço da coxa, e esse é o motivo do porque a nova perna geralmente é menor, o espaço que ela tem pra crescer é pequeno. Além disso, quanto mais longe de uma ecdise ela fizer autotomia, maior será o membro regenerado, ou seja, há chances dela não regenerar nada se estiver muito próximo de uma troca. Por ultimo, diferente de caranguejeiras, alguns grupos de aranhas não regeneram mais nenhum membro amputado depois de maturarem, isso porque elas não fazem mais ecdise após a maturidade sexual (ex: Phoneutria spp.).

Os membros não são regenerados por partes, ainda que pareçam menores e mais finos, todas as estruturas e segmentos estão presentes no novo membro. O que pode acontecer são mudanças em estruturas sensoriais e nervosas, podendo causar diferenças na movimentação do membro em questão, ou até zero mobilidade.

Curiosidades: – Aranhas do gênero Latrodectus não conseguem regenerar a perna completamente se autotomizadas na articulação coxa-trocanter.
– Se uma aranha perde 3 ou 4 pernas, antes do processo de ecdise, elas serão todas regeneradas na próxima troca.
– Em um experimento, induziram uma aranha a perder as 8 pernas e a alimentaram artificialmente, todas as pernas voltaram depois da ecdise.

AUTOTOMIA

É importante ressaltar que esse processo é voluntário, foi observado que aranhas anestesiadas não conseguem realiza-lo.

Geralmente, a autotomia acontece entre a coxa e o trocanter, e raramente entre a patela e a tíbia. O processo acontece com o fêmur funcionando como uma braçadeira, enquanto a aranha empurra a coxa pra cima, como se fosse um espasmo. Nesse momento, o trocanter se inclina bruscamente, formando uma tensão com a coxa, o que gera a ruptura dorsal de uma membrana que se encontra na articulação.

O local onde a amputação ocorre tem apenas um músculo, que rapidamente se “destaca” e se recolhe pro interior da cavidade da coxa. Os outros músculos, chamados de esclerites, se situam nas periferias da membrana da articulação rompida e agem como uma espécie de válvula, ou seja, eles rapidamente fecham a ferida de dentro para fora. Esse processo, aliado ao fluxo de hemolinfa que força essa “tampa”, ajuda a selar o local, evitando que a aranha “sangre”.

A capacidade das aranhas de regenerar um membro é como mágica para nós, assim como o processo de metamorfose em borboletas, mariposas e em muitos outros insetos. A beleza da natureza nunca deixa de surpreender e, com isso, podemos apreciar melhor as táticas de sobrevivência das aranhas. 

Curiosidades: Quando picadas por uma vespa na perna, aranhas podem realizar autotomia e fugir, antes que o veneno da vespa se espalhe pela perna até seu corpo. Ou, elas podem deixar um membro pra um escorpião comer enquanto fogem. Também foi observado que, aranhas de teia orbicular com 3, ou até 4 pernas a menos, conseguem tecer suas teias de forma regular, sem grandes problemas.


Exemplar 1 com duas pernas dianteiras amputadas.

Exemplar 2 com uma perna traseira regenerada após 1 muda.

Exemplar 3 com dois pedaços da perna traseira regenerada após 1 muda.

Exemplar 2 com uma perna traseira regenerada após 2 mudas.

Fonte: Biology of Spiders (Foelix) Autotomy and Regeneration pgs. 281-285. Complemento: Adalberto Peixoto

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